E SE ZAGALLO SOUBESSE QUE O DIA MUNDIAL DO ROCK É COMEMORADO EM UM 13?

 POR MÁRIO AFONSO PONTIERI

 Dia 13 de julho é comemorado o Dia Mundial do Rock and Roll. Essa data faz menção ao grande Festival de Música Live Aid, que inclusive veio à tona no recente filme Bohemian Rhapsody, espécie de cinebiografia da lendária banda Queen, que tem por seu maior sucesso justamente a canção homônima ao citado filme. Esse grande show foi realizado em 13 de julho de 1985 com a intenção beneficente de arrecadar fundos para combater a fome na Etiópia e contou com nomes como U2, Phil Collins, Paul McCartney, The Who, Elton John, além do já citado Queen, de Freddie Mercury.

Quem lê essa crônica de hoje se equivoca caso pense: “Mas o que tem a ver o futebol com o rock? O ritmo que embala os estádios, todo mundo sabe, é o samba”. Equivoca-se porque já na introdução desse texto a relação com o futebol existe. Esse grande espetáculo do Live Aid, assim como tantas outras mega apresentações desse som de Elvis, sempre aconteceram em estádios de futebol. Nesse caso, especificamente, o lendário estádio de Wembley, em Londres, mas quem nunca ouviu falar dos grandes eventos de rock que ocorreram no Brasil, por exemplo embalando o estádio do Morumbi, em São Paulo?

Os mais jovens podem também se lembrar (caso a menção ao Wembley Stadium não lhe venha como emoção) da icônica comemoração do goleiro corintiano Cássio que, em 2012, ao ser eleito o melhor jogador em campo na final do Mundial de Clubes da FIFA (ocasião em que o Timão se sagrou campeão), comemorou tocando como uma guitarra imaginária a chave simbólica do carro Toyota que ganhara como prêmio.

E se temos um goleiro e tantos outros jogadores roqueiros, é evidente que temos também do outro lado muitos roqueiros apaixonados por futebol. Imagine uma seleção em campo, toda formada por esses que vestem preto e fazem cara de mal. Alguém aí, duvida, por exemplo, que Sir Elton John, torcedor do Watford da Inglaterra, seria o técnico perfeito para essa equipe? Elegante, sereno, observador, estaria ele às margens do gramado, orientando seus selecionados a pensarem cada vez mais alto e jogarem com mais emoção “because I’m a rocket man!!”, gritaria o inglês.

O time de Rock Stars certamente contaria ainda com a experiência e inteligência do vascaíno, capitão da equipe, Raul Seixas. Camisa 10, jogando com classe, apesar de recusar a alcunha de ídolo da equipe, já que ele não seria “besta pra tirar onda de herói”, Raulzito era um “cowboy fora da lei”.

Reclamando da desorganização tática causada pelo mestre Raul, porém causando um verdadeiro “auê” pela ponta esquerda da cancha, estaria a rainha corintiana Rita Lee. Ela que, aguda no ataque “é pior do que cobra cascavel, seu veneno é cruel”. “El!!!! eeeeel!!!!”, gritaria a torcida empolgada com mais um gol do nosso centroavante que, apesar do apelido de “Chorão”, traz do orgulho de ser santista a inspiração para balançar as redes e se entregar à emoção que “só os loucos sabem” como é.

Conseguem por exemplo imaginar os irmãos Gallagher, do Oasis, torcedores do Manchester City, se pegando na pancada em pleno jogo devido a uma falha que quase levou ao gol do adversário? Precisariam ser eles separados pelo nosso volante, o palmeirense João Gordo. Quem aí acredita na chance de a confusão, com a chegada do punk brasileiro, na verdade, só aumentar?

Nossos laterais gaúchos, Duca Leindecker, da banda Cidadão Quem, e Humberto Gessinger, dos Engenheiros do Hawaiii, já viriam intervir, ensinando como é que se faz no Grenal. Porém, quem resolveria, de fato, a treta seria nossa genial camisa 7, número de deusa, Pitty, torcedora do Vitória. A baiana arretada colocaria fim no imbróglio e lembraria a todos que, enquanto a “pane no sistema” do time acontecia, o guitarrista são paulino do Sepultura, Andreas Kisser é quem resolvia, de maneira solo, a partida, com mais um gol para a seleção de preto.

O único cuidado que, de fato, deveríamos ter, seria não convidar à plateia o Rolling Stone Mick Jagger, pois, se isso acontecesse, saberíamos de antemão que as chances de vitória seriam mínimas para a equipe Rock Stars.

 

Mário Afonso Pontieri é professor de Literatura, jornalista esportivo e apaixonado por Rock and Roll.

 

Deixe seu Comentário